Padecendo de envelhecimento precoce, Partido Novo sofre sangria de filiados

O Partido Novo começa a pagar um alto preço pelas suas ambiguidades e pelas posições esquerdistas de João Amoêdo. Nascido com a promessa de ser um partido ligado à defesa do liberalismo, o partido, aos poucos, revelou-se mais um tentativa de se se apropriar do termo liberal para assumir a cara de mais um partido de centro-esquerda na política brasileira.

O conceito de “liberal” de João Amoêdo e da cúpula do Novo mais se aproxima da acepção que os norte-americanos dão ao termo, em oposição ao conceito de conservadorismo ou de republicanismo. “Liberal” nos EUA é um termo associado à esquerda do espectro político/ideológico.

A evidência dessa contradição está causando uma gigantesca sangria de desfiliações. Praticamente metade dos filiados à legenda desde 2011, quando foi fundado, já deixou a sigla. Segundo dados de registro de desfiliações, já são 35,5 mil os ex-membros que se desligaram da legenda, superando o número de filiados atuais, que é de  33,8 mil, segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo de hoje (03/09). Somente no mês de julho, foram mais de mil desfiliações.

A cúpula do Novo põe a culpa da sangria na polarização e na frustração da expectativa de muitos filiados que desejavam a criação de diretórios em cidades que sofreram veto dos dirigentes nacionais. Os funcionários de João Amoêdo que administram a legenda depositam esperanças na eleição do ano que vem para recuperar as perdas.

No entanto, com o dono do Novo, João Amoêdo, fazendo oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro, expulsando membros que o contestam com objetivo de limpar o terreno para ser candidato a presidente novamente, uma avaliação realista das perspectivas para o Novo é a de que o encolhimento nas filiações se converta em encolhimento nas urnas.

Paulo Moura
dextrajornalismo@gmail.com
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