Como as Big Techs fazem Trilhões em U$?

by Franklin Melo*
Algumas perguntas precisam ser respondidas:
  • Quem realmente são as BIG Techs?
  • Qual a sua capacidade e domínio no nosso mercado?
  • Como a ideologia progressista tem usado as plataformas?
  • Como as Big Techs ganham trilhões de dólares com a nossa informação?
  • Como impedir que elas silenciem os conservadores e como o próprio mercado conseguirá equilibrar o jogo?

As pessoas estão preocupadas com o fato de que a conta do Presidente dos USA foi bloqueada nas mídias sociais.

Temos hoje uma migração massiva das plataformas tradicionais de redes sociais para plataformas alternativas, como PARLER, Signal, Wickr Me e Telegram.

De forma organizada, como um cartel que faz reserva de mercado, o contra-ataque das Big 5 foi sincronizado e imediato. As plataformas de nuvens da AWS (Amazon), interromperam o serviço de seus próprios concorrentes, conforme anunciado pelo CEO do PARLER, plataforma que promete livre voz aos conservadores.

Para entendermos melhor o contexto, precisamos saber melhor quem são as Big Techs ou Big 5.

Estamos falando das 5 maiores empresas do mundo, que correspondem a 4 países do G20, juntos em termos de valor de mercado, elas correspondem a 3 vezes do PIB do Brasil e se fossem um pais estariam na 18ª posição de países mais ricos do mundo com a menor população, se seus funcionários fossem “cidadãos”.

Big Tech: The Full Picture

Company Revenue (2019) Net Income (2019) Market Cap (July 2020)
Apple $260.2 billion $55.2 billion $1.58 trillion
Amazon $280.5 billion $11.6 billion $1.44 trillion
Alphabet $161.9 billion $34.3 billion $1.02 trillion
Microsoft $125.8 billion $39.2 billion $1.56 trillion
Facebook $70.8 billion $18.5 billion $665.04 billion
Combined $899.2 billion $158.8 billion $6.24 trillion

Source: https://www.visualcapitalist.com/how-big-tech-makes-their-billions-2020/

O problema principal, não é somente o poder econômico das Big Techs, mas a capacidade de causar um estrago em muitas das vezes irreversíveis as políticas públicas mundiais, mercados inteiros ou simplesmente fazer você desaparecer do mundo virtual.

O presidente da maior potência do mundo; o homem “mais” poderoso do mundo, Donald Trump, foi incapaz de interromper a ação coordenada e pode-se dizer planejada das gigantes da tecnologia.

Então, a pergunta que se faz é: por que empresas como PARLER se submetem à infraestrutura da Amazon para disponibilizar uma plataforma que deveria ser livre?

A resposta é muito simples: eles não têm escolha. Afinal de contas, a nuvem é dominada por poucas empresas, e adivinha só quem são? Microsoft, Google, Amazon, conforme indicado pelo Gartner em estudo de Agosto de 2020.

Source: https://www.gartner.com/doc/reprints?id=1-1ZDZDMTF&ct=200703&st=sb

Apenas para esclarecer, a famosa NUVEM são as Big Techs, basicamente Data Centers espalhados pelo mundo disponibilizado em forma de serviço com poder computacional, então quando alguém falar em nuvem, saiba que estamos falando basicamente de Microsoft, Google, Amazon e eventualmente outros pequenos players.

O mercado de nuvem se tornou um oligopólio das Big 5, e ninguém é capaz de desafiá-los ou entrar neste mercado, pois existe uma barreira de proteção que impede totalmente a livre competição.

Ações sincronizadas feitas pela Apple e Google, retiraram de suas plataformas o PARLER, principal competidor do Twitter e Facebook. Os concorrentes estavam sendo esvaziados pela plataforma PARLER e outras. Importante lembrar que este mercado de Smartfones é dominado em 96% por 2 das Big 5.

Tecnologicamente falando, com um certo nível de esforço somos capazes, a partir de uma equipe técnica bem estruturada e com investimentos corretos, de mitigar a limitação do sistema operacional. A própria loja da Apple na verdade foi criada a partir de ações de hackers em 2007, que desenvolveram lojas clandestinas de aplicativos e melhoraram muito a utilização do hardware da Apple. Esta parece ser a solução mais rápida, e tenho certeza de que já temos pessoas ligadas à comunidade Hacker de software livre (Open Source), que estão trabalhando em diversas plataformas paralelas.

Já no que diz respeito ao oligopólio de nuvem e de redes sociais o problema é mais complicado. O primeiro problema decorre do tamanho dos investimentos para Data Centers espalhados pelo mundo, e o segundo, decorre do fato de que a tecnologia é muito avançada e proprietária, decorrente de décadas de investimentos em Hardware e engenharia de Software.

Nas redes sociais, o domínio é mais político do que tecnológico, existe uma narrativa que gira em torno do Facebook e Twitter que devagar foi introduzindo no inconsciente da sociedade, uma memória progressista, a formação do pensamento socialdemocratas, de maneira sub-reptícia, foi introduzida pelas plataformas. Inicialmente auto apresentadas como mídia, ou seja, como simples meio, a criarem sistemas de controle de conteúdo as plataformas se converteram em editores com posição editorial.

Se por um lado, as redes sociais deram voz aos conservadores, romperam a bolha ideológica que existia dentro da mídia tradicional, por décadas de hegemonia socialista. Na verdade, as Big Techs foram surpreendidas pela força das suas próprias redes e de como os conservadores aprenderam a usá-la para dar voz aqueles que eram silenciados.

Em 2016, com as eleições americanas o Facebook e o Twitter foram acusados por seus correligionários de permitir a eleição do Donald Trump. Trump surfou nas redes sociais e na comunicação direta com seus eleitores.

Os eleitores americanos que se percebiam como isolados e minoritários em decorrência da opressão do governo Barak Obama e do politicamente correto, perceberam que tinham um representante e que suas vozes eram ecoadas em milhões de outras pessoas.

Neste mesmo ano, refletindo o mesmo fenômeno, ocorreu a saída do Reino Unido da União Europeia (BREXIT). Aqueles que não concordavam com os ideais progressistas que defendiam a tese de países sem fronteiras, perceberam que um país sem fronteiras, na verdade, é um país sem cultura, sem língua e sem identidade e sem governo controlado pelo seu povo. Novamente, isso se processou através das redes sociais.

A primavera árabe e o impeachment de Dilma Rousseff entre diversos protestos no mundo, só foram possíveis devido as redes sociais, que deram voz aqueles que foram por anos silenciados e através das redes passaram a criar identidade coletiva e unidade política para ação.

Em 2018, com as eleições Brasileiras e o BREXIT com dificuldades de se operacionalizar, os conservadores surpreenderam novamente, elegeram a chapa liberal-conservadora, representada pelas figuras de Jair Messias Bolsonaro, Paulo Guedes e diversos parlamentares, com uma agenda de reformas e valores conservadores de proteção a família, pátria e propriedade privada. Pela primeira vez em décadas um presidente brasileiro falou abertamente em nome de Deus e foi recepcionado pela sociedade através das redes sociais da mesma forma que Donald Trump em 2016. Uma militância foi organizada silenciosamente através do aplicativo WhatsApp e a mensagem liberal-conservadora chegou a milhares de pessoas.

Novamente empresas das redes sociais foram acusadas de negligenciar os ditos “robôs”. Inventaram-se as agências de fact checking, que passaram a regular as ditas “verdades” e a “mentiras”. Outro procedimento foi a limitação da capacidade de distribuição individual de conteúdo, com as mensagens de Whatsapp sendo ilimitadas à distribuição para apenas 5 grupos/pessoas por vez e a restrição de publicações por ações repetidas nas redes.

Existem relatos dando conta de que eleitores democratas nos USA foram lembrados de votar com muito mais frequência do que republicanos, através do Facebook e Twitter nas eleições presidenciais de 2020, quem conhece o formato das eleições americanas, sabem que isto pode ser decisivo.

Desde então, os conservadores vêm atravessando um campo minado de bombas ideológicas, através de algoritmos que limitam a visibilidade de conteúdos conservador. Uma verdadeira nova “inquisição” passou a perseguir conservadores com banimentos de contas, exclusão de conteúdo, retirada massiva de seguidores e desmonetizarão sem justificativa.

Apesar de todos os esforços do Facebook e Twitter em silenciar os conservadores, os mesmos não se deram por satisfeitos, e decidiram carimbar nos posts que eram contrários à sua ideologia progressista, pequenos balões que indicavam contra-argumentos aos argumentos e opiniões de conservadores foram atribuídos aos posts. O mais incrível é que estes balões de “Fact-Check” eram apenas para conservadores em especial o Presidente dos USA, enquanto ditadores de países autoritários socialdemocratas e comunistas passeavam livremente em suas plataformas.

Esse conflito se tornou público e evidente quando o presidente americano pisou em uma destas bombas e expos ao mundo o campo minado de ideologias que se escondem por trás das Big Techs.

Provavelmente isto se configurará dentro da lei como formação de cartel, ou no caso da lei americana, a famosa lei Anti-Trust, que visa evitar a formação de monopólios e assim garantir o livre mercado, a própria Microsoft na década de 90, foi enquadrada pelo governo americano nesta lei, pois o seu domínio de mercado era tão grande, que impedia qualquer tipo de concorrência, por diversos anos a indústria de petróleo americano foi acusada de praticar atividades que violavam a lei, assim como o famoso caso do JP Morgan, que foi condenada a pagar U$ 1B em decorrência de praticas a manipulação de mercado.

Já existem diversas ações nas casas legislativas para ajustar a lei em decorrência das práticas das Big Techs, conforme artigo, escrito pelo “New York Times”.

House Lawmakers Condemn Big Tech’s ‘Monopoly Power’ and Urge Their Breakups

Mas o que faz as Big Techs serem tão poderosas?

Não existe respostas simples para esta pergunta, mas tentarei resumir de forma didática:

  • Os dados dos usuários (você) voluntariamente cedidos;
  • A riqueza que sua audiência gera, valorizando a publicidade que as mídias digitais veiculam, cobrando dos anunciantes.

Para anunciar nas mídias digitais da Big Techs, as empresas contratam seus serviços em nuvem. Os dados de comportamento humano (político, social ou de consumo) é o que elas vendem. A cada momento que você olha ou clica num post por alguns segundos, dá um like, pesquisa no Google, YouTube ou autoriza acesso à sua geolocalização num aplicativo (mesmo com GPS desligado), existe uma estrutura gigantesca (BIG DATA) formada de robôs com inteligência artificial (AI) está analisando seu comportamento para vender essas informações para anunciantes que, conhecendo seus padrões de consumo, venderão seus produtos para você.

Como bem dito pelo artigo escrito pelo “The Economist”, Data is the new Oil, ou seja, o dado agora se tornou petróleo, basta ver o crescimento exponencial das ações das Big Techs contra a queda das empresas de petróleo, esta é a grande defesa que temos, saber manipular os seus próprios dados e solicitar exclusão frequente deles para o Google, Facebook e outros, vai limitar e muito a possibilidade de ganho financeiro destas plataformas.

The world’s most valuable resource is no longer oil, but data

Pode parecer contraditório, mas é verdade, as Big Techs, coletam seus dados e vendem “para você mesmo”, em forma de produtos de consumo, dado que fornecedores de bens de consumo pagam por propagandas que são direcionadas a você a partir dos dados sobre o seu comportamento. Dados que você entrega voluntariamente.

Quantas vezes você comentou com sua esposa, marido ou filhos, sobre algo que gostariam de fazer, viajar, comer ou comprar, e aparece para você exatamente aquilo que você estava procurando nas redes sociais? Sim, muito provavelmente a captura de dados também pode ocorrer pela captura do que você diz perto do seu smartfone, mesmo que não esteja fazendo uma ligação. Ao instalar o sistema operacional de seu novo celular ou baixar um aplicativo, você clicará “concordo” com a política de dados e privacidade do fabricante e, pronto.

Algumas dicas para dar o troco nas Big Techs.

  • Solicite com frequência a exclusão dos seus dados de navegação e comportamento!
  • Nunca clique em anúncios nas redes sociais, se interessar por algum produto, acesse o site diretamente da empresa!
  • Denuncie todos os anúncios como irrelevantes!
  • Procure não contratar Ads (anúncios) nas plataformas, quando possível.
  • Fique um dia por semana sem abrir as redes sociais das Big Techs

Diante de tantas dificuldades, é necessário pensar a longo prazo. Termos o monopólio da informação nas mãos de poucas empresas, com uma única ideologia, de um único país, é um risco para a sobrevivência do livre pensamento e da soberania de qualquer estado, pois estas empresas trabalham com a premissa que os problemas devem ser resolvidos de forma global, ou seja, o individuo é irrelevante.

Este pensamento globalista, é uma ameaça a liberdade individual, pois se em nome de uma fantasia de “liberdade” social os direitos individuais são ceifados, não existe liberdade alguma.

Num mercado no qual poucas empresas se organizam para reserva de mercado (cartel), não estamos falando de capitalismo e livre mercado, mas de metacapitalismo.

A existência de empresas, em diferentes países, que competem entre si, traz equilíbrio a este novo mercado. Precisamos incentivar nossos parlamentares e regulamentar isto, proteger nossos dados, e incentivar nossos empresários a investir em empresas de tecnologias locais.

Precisamos entender, como nação, que os problemas são resolvidos localmente, primeiro no nível do individuo, depois comunidade, cidade, estado e país. Problemas globais demanda soluções fora do alcance do cidadão nacional, dispersam o problema real e não passam de narrativas, ficando à mercê de sociais-democratas e burocratas que querem escravizar tirando-lhe o controle sobre as decisões que afetam suas vidas.

Quando as BIG Techs se colocam como salvadoras da liberdade de expressão global, na verdade o que estão realmente fazendo é criando um “governo global ditatorial”, no qual só é permitido, o que essas megacorporações autorizam como “verdade”.

Para reagir, precisamos de coragem, organização e união. Não temos as Big Techs do nosso lado, mas temos empresários dispostos a investir em bons negócios, novas tecnologias, pessoas e empresas que podem mudar o mundo.

Se concordamos 80% com nossos aliados, por que brigar pelos 20% que discordamos?

Precisamos agregar pessoas e projetos para trabalhar juntos: liberais e conservadores contra aquilo que realmente nos ameaça; o socialismo e o comunismo.

Acredito que em breve teremos novas plataformas, pois, nessa pandemia política e ideológica testemunhamos muitas máscaras caindo. Agora sabemos quem é o inimigo a ser combatido.

Abraços…

FRANKLIN MELO*

MeloFranklinBR / + 55 (11) 94813-7600

Possui 25 anos de experiência em TI, com vivência executiva internacional. Ocupou cargos de gerência e liderança sênior em empresas de médio e grande portes, como Alcoa, Blockbuster, TetraPak, Porto Seguro, Carrefour, Mercado Eletrônico, Finaustria (Itaú), Unibanco AIG, Unilever e Becton & Dickinson (BD), atualmente ocupa a posição de Sócio Fundador de uma StartUp de Transformação Digital.

 

Paulo Moura
Paulo Moura
dextrajornalismo@gmail.com
6 Comentários
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    Postado em 19:41h, 11 janeiro Responder

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    James Dressler
    Postado em 17:39h, 11 janeiro Responder

    Algumas observações: 1) De nada adianta criar lojas de aplicativos alternativas, como o sistema operacional é ou da Apple ou do Google, na hora que quiserem podem simplesmente impedir a instalação de aplicativos que não das lojas oficiais. Uma atualização do sistema operacional faz isso num piscar de olhos. 2) Não acessar os links nas publicidades nas mídias sociais também não é eficaz, a rede social recebe pagamento simplesmente por exibir a publicidade, mesmo que você não toque. Continuarão faturando. 3) Acho que construir a infraestrutura de nuvem é o de menos, vai custar é dinheiro, muito dinheiro, mas tecnologicamente e comercialmente, não vejo as fabricantes de hardware de infra (Ericsson e Nokia, por exemplo) tão problemáticas do ponto de vista ideológico, é outro contexto, a censura representa uma não-venda, o Facebook te censura e a venda continua mesmo assim. Problema mesmo é ter um sistema operacional alternativo para celular, convencer um fabricante que ele é economicamente viável, e convencer as Big Techs a migrarem os seus aplicativos para o teu sistema operacional. Poderia tentar fazê-lo compatível de tal forma a usar a loja de aplicativos do Google, mas o Google é perfeitamente capaz de identificar que o celular não é Android e barrar o download de aplicativos.

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    Renato Saraiva
    Postado em 17:12h, 11 janeiro Responder

    Cabe salientar, que o hardware necessário para se investir em big data centers, são em sua massiva maioria produzidos na China. Quando não totalmente, grande parte das peças. Além disso, os cérebros por trás do desenvolvimento tecnológico são em sua grande maioria de jovens, que eventualmente podem estar contaminados com a vibe sócio-democrata-comuno-globalista.
    A conferir os próximos capítulos.

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