Líder dos índios do Mato Grosso topa discutir viabilização da Ferrogrão

Crisanto Rudzö, presidente da Fepoimt (Federação dos Povos e Organizações Indígenas do Mato Grosso), disse que topa negociar a viabilização da Ferrogrão desde que o traçado da ferrovia não prejudique os povos indígenas. Rudzö disse ainda, que os índios não são contra o agronegócio, mas que não podem ser prejudicados pela obra, informa o site Poder360.

As declarações revelam uma mudança de posição de federação indígena, já que a entidade foi uma das que assinaram uma carta aberta pedindo a fundos e bancos internacionais que não financiassem a obra.

O projeto da Ferrogrão prevê um traçado de 933 km, ligando Sinop (MT) a Miritituba (PA). A obra atende aos interesses nacionais e dos agricultores do Mato Grosso, pois agiliza e barateia o transporte de produtos agrícolas de exportação para os portos do norte do país, permitindo sua chegada à Europa e ao canal do Panamá num trajeto mais curto do que o hoje usado, com as exportações sendo escoadas pelo porto de Santos pela Rumo. Mais do que a controvérsia com os índios, é o lobby da Rumo e do grupo de Blairo Maggi que de fato obstaculiza a concretização da obra, dizem lideranças rurais do Mato Grosso.

O STF (Supremo Tribunal Federal) paralisou a obra ao acatar uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) sob a alegação de que um trecho da ferrovia passa no Parque Nacional do Jamanxim, no Oeste do Pará. Mesmo assim, o governo federal segue firme na intenção de agendar o leilão para o 1º semestre de 2022. Com o fim da pandemia o Ministério da Infraestrutura deve abrir o diálogo com as comunidades indígenas afetadas pelo projeto. O diálogo com os índios tornou-se possível, atesta Rudzö ao dizer que: “O governo vem querendo legitimar através de algumas reuniões simples com lideranças indígenas para dizer que já conversou com os povos indígenas”, disse.

O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, declarou em em evento da XP no dia 24/07, que o governo vai contratar o projeto de engenharia de forma a tirar a ferrovia de dentro da reserva: “Já que eu não posso andar com o processo de concessão, eu vou caminhar com a contratação de projeto de engenharia, até para acomodar da melhor forma possível esse traçado”.

Paulo Moura
dextrajornalismo@gmail.com
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