NEM TUDO SE DESFAZ, FILME DE JOSIAS TEÓFILO SOBRE A ELEIÇÃO DE BOLSONARO ESTRÉIA EM JUNHO

Segundo documentário de longa-metragem de Josias Teófilo, diretor do controverso e premiado O Jardim das Aflições, será lançado em junho nos cinemas

NEM TUDO SE DESFAZ é um documentário ensaístico sobre os desdobramentos culturais e políticos das Jornadas de Junho de 2013. Os movimentos de então foram o início de aceleradas transformações na sociedade brasileira, o que culminaria, em outubro de 2018, na eleição de Jair Bolsonaro a presidente da República. Nesse intervalo de tempo, as grandes manifestações de rua voltaram a ser instrumento de disputa política, no esteio da ascensão das redes sociais e da quebra de uma longa hegemonia da esquerda na cultura nacional. Ao mesmo tempo, uma crise sem precedentes atingiu organismos intermediários como a grande imprensa, os partidos políticos e o Supremo Tribunal Federal, entre outras instituições.

No Brasil de 2018, grande parte dessas instituições se aglomeraram num bloco de resistência ao candidato à presidência da República, Jair Bolsonaro. Figura popular, tendo como divisa de campanha “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, o capitão de infantaria do Exército serviu como veículo para o espírito conservador, nacionalista e patriótico que se consolidava no país, especialmente a partir de junho de 2013.

Durante a eleição, as manifestações populares de apoio ao candidato vencedor ressoavam as manifestações de 2013, como temas que se repetem em uma sinfonia de Sibelius. O tema da revolução conservadora — paradoxo só aparente, presente implícita ou explicitamente nas obras de pensadores como Alexis de Tocqueville, Joaquim Nabuco, Sergio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre —dá o tom de uma grande mudança que, por meio da conciliação de antagonismos, em acomodações sucessivas mais ou menos dirigidas, sem perda da identidade do conjunto, opõe-se a projetos artificiais e sem ligação orgânica com a identidade mais profunda do povo brasileiro.

DIRETOR

Josias Teófilo é cineasta, escritor e fotógrafo. Formado em jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco (2010), foi colaborador da Revista Continente de 2011 a 2015. Na publicação, ele escreveu principalmente sobre arte e entrevistou personalidades como Hélène Grimaud, Boris Schnaiderman, Phillipe Jarrousky, Marlos Nobre, João Moreira Salles e Paulo Mendes da Rocha, entre outros.

Seu primeiro curta-metragem, Quarteto Simbólico, sobre o arquiteto modernista Delfim Amorim, foi produzido como projeto de conclusão do curso de jornalismo. Exibido em mais de 40 festivais e mostras pelo país, recebeu o prêmio de melhor documentário de formação do Festcine no Recife. O filme integra a coleção de DVDs Antologia do Cinema Pernambucano e o programa de matérias de faculdades de arquitetura.

Josias Teófilo é autor do ensaio biográfico O Cinema Sonhado, ganhador do prêmio Antônio de Brito Alves de melhor ensaio da Academia Pernambucana de Letras. O livro trata da vida do seu avô, Pedro Teófilo Batista, cineasta e inventor autodidata que realizou dois filmes em 35mm no final da década de 1960 no Recife e foi elogiado pelo crítico literário Rodrigo Gurgel no texto Três livros para compreender o Brasil.

Em 2015 Josias Teófilo realizou o longa-metragem O Jardim das Aflições, um documentário sobre o filósofo Olavo de Carvalho. Filmado na Virgínia (EUA), o documentário foi financiado por meio de crowdfunding, no qual obteve mais de 350 mil reais em doações privadas (sem recursos públicos). O filme foi o pivô de uma polêmica nacional, quando sete cineastas resolveram retirar seus filmes do festival Cine PE (Pernambuco, 2017) em protesto contra a seleção do documentário e de outro longa-metragem, Plano Real. O boicote produziu acalorado debate na mídia nacional, no qual se envolveram importantes figuras do cinema e da cultura. Os ânimos exaltados levaram ao adiamento do festival. Ao fim, O Jardim das Aflições foi consagrado com três prêmios no festival: melhor filme do júri oficial, melhor filme do júri popular e melhor montagem. Exibido em mais de vinte cidades brasileiras, documentário esteve em cartaz durante nove semanas, em circuito comercial.

PESQUISADOR

Eduardo Matos de Alencar é escritor, sociólogo e analista político. Doutor em sociologia pela UFPE, trabalhou durante quase uma década em governos municipais e estaduais, com passagem por organizações internacionais, em programas como UPP Social e Pacto Pela Vida. Em 2014 abandonou o serviço público para se dedicar a escrever e analisar a realidade nacional, a partir de sua vivência na prática cotidiana da política e do Estado brasileiros.

Editor do site Proveitos Desonestos e do canal Paladino, escreve ocasionalmente para o Senso Incomum e para a Revista Amálgama. Desde 2018, seus ensaios sobre a política brasileira têm tido repercussão crescente no debate público.

No segundo semestre de 2019, Eduardo Matos de Alencar vai lançar o livro De quem é o Comando? O desafio de governar uma prisão no Brasil (Record), um estudo sobre o sistema penitenciário brasileiro baseado na sua pesquisa de doutorado em sociologia pela UFPE.

www.nemtudosedesfaz.com

Paulo Moura
Paulo Moura
dextrajornalismo@gmail.com
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