TENTATIVA DE IMPEACHMENT DE BOLSONARO II: O MAPA DO JOGO

Presidente Jair Bolsonaro

Com o fracasso da tentativa de impeachment de Bolsonaro em 2020, a oposição recuou na mesma medida em que o Palácio do Planalto reagiu, e mudou seu modelo estratégico de 2019 (pressionar o establishment com ajuda das ruas) para o modelo de 2020 (cooptar o centrão, ganhar o comando do Congresso e apartar a aliança do parlamento com o STF).

A nova estratégia de Bolsonaro está em curso e, tudo indica, se completará com sucesso com a provável vitória de seus aliados para os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

A segunda fase da estratégia do governo começa dia 2/2, supondo-se a vitória de seus candidatos. Se confirmada a vitória, o passo seguinte é trazer os aliados do centrão para ocupar ministérios e, em seguida, botar para andar as pautas do governo no parlamento, que Rodrigo Maia manteve engavetadas em 2020.

Não basta vencer, é preciso fazer a agenda do governo avançar no parlamento. Controlar o parlamento não é suficiente. O Palácio do Planalto precisa impor a dinâmica das votações e debates no Congresso para controlar um dos vetores centrais da conjuntura e botar a oposição para correr atrás do governo, em vez de ficar gerenciando as crises que a oposição cria e se defendendo das consequências políticas e econômicas da paralisação das reformas.

Para isso funcionar, dois requisitos se fazem necessários:

1 – O presidente precisa definir que reformas vai estimular, pois sua ambiguidade em relação às pautas do ministro Paulo Guedes e os freios que ele mesmo impôs à tramitação das reformas administrativa e tributária emitem sinais controversos para o mercado e muito claros para o centrão;

2 – Remover dos seus cargos os militares dos postos que envolvem coordenação política e relações com o Congresso e substituí-los por operadores do centrão.

Não se engane o leitor, a provável vitória de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco para o comando da Câmara e do Senado é obra de Arthur Lira e Alcolumbre. Os generais do governo são meros coadjuvantes e observadores desse jogo e, para consolidar as novas bases estratégicas do governo, também não se engane o leitor, convém ao presidente entregar ao centrão, “ministérios que dão voto”, como se diz no jargão político.

Antevendo essa dinâmica, a oposição política e midiática, resolveu não esperar e tirou da gaveta novamente a já fracassada tentativa de impeachment do presidente Bolsonaro. Trata-se de reprise do mesmo filme de 2020, cujo roteiro é o seguinte:

  1. Aproveitando-se da epidemia do Covid19, a mídia cria um ambiente de terror na opinião pública. A imprensa é coadjuvada por Doria, que aumentou 69% os gastos publicitários do governo de São Paulo e, com suas coletivas diárias, cria factoides para alimentar as manchetes da imprensa oposicionista (quase toda);
  2. A mídia mira em ministros-alvo com o objetivo de derrubá-los de seus cargos para desestabilizar o governo. Em 2020 os alvos eram Paulo Guedes e Moro, com o desfecho mal sucedido conhecido. Em 2021 os alvos são Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo;
  3. A esquerda aciona a PGR e o STF para acuar o presidente e jogar o governo numa dinâmica defensiva;
  4. O STF impõe limitações e/ou obrigações ao governo de forma a limitar seu poder de inciativa e tentar criar algum pretexto jurídico para o processo de impeachment;
  5. A esquerda tenta (sem sucesso) mobilizar as ruas para jogar o povo contra o governo;
  6. Rodrigo Maia tenta, agora desesperadamente já que seu mandato termina dia 01/02, pautar o impeachment do presidente no Congresso.

A estratégia da oposição tem claros limites e, apesar do estardalhaço da mídia, tem tudo para repetir o fracasso de 2020.

Em primeiro lugar, como já dito, sem o comando da Câmara e do Senado, a oposição perde o controle da pauta do Congresso.

Em segundo lugar, a aliança do Congresso com o STF será substituída por uma aliança do Congresso com o Executivo.

Em terceiro lugar, com toda a artilharia contra ele, apesar de sofrer uma queda em seus índices de aprovação (como em 2020), esses índices não baixam de 30% e, complementarmente, o presidente se mantém na liderança isolada dos rankings eleitorais para 2022 com cerca de 28% das preferências, sem que a população abençoe nenhum dos pretendentes da oposição com mais de 12%, segundo as pesquisas mais recentes.

O mapa da dinâmica do jogo é esse, mas há, no horizonte, algumas variáveis que requerem atenção do presidente. O socorro emergencial às pessoas físicas e jurídicas vítimas das quarentenas acabou e o limite fiscal para reeditá-los é crítico, sem a aprovação de reformas que apontem para a geração de receitas e a redução do déficit público (nem que seja em perspectiva).

A pressão da mídia e de Doria por uma nova onda de lockdowns se explica pelo objetivo de aprofundar a crise econômica e o desemprego, já crescente como consequência de 2020, e manter o clima da opinião pública receptivo a um possível impeachment do presidente, mesmo sem a oposição deter o comando do Congresso.

No entanto, essa estratégia de Doria e da oposição implica em provocar quebradeira de empresas e mais desemprego. Em São Paulo, o aumento do ICMS patrocinado por Doria e a decretação de bandeira vermelha à noite e nos fins de semana, já está levando empreendedores às ruas contra o governador.

Esse fator, se bem usado politicamente pelo presidente, que sempre alertou para as consequências nefastas do fechamento da economia, pode se converter num problema para Doria, principal inimigo de Bolsonaro e que comanda a locomotiva da economia nacional, embora padecendo de crescente antipatia do eleitor paulista e paulistano.

O jogo está posto. Aos movimentos senhores jogadores.

Paulo Moura
Paulo Moura
dextrajornalismo@gmail.com
1 Comentário
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    Zoila brum
    Postado em 10:02h, 24 janeiro Responder

    Agora ficou claro pra mim porquê desse lockdown, valeu Paulo.

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